Portanto, escolhe a vida, para que você e seus descendentes vivam (Dt 30, 19)”

A Pastoral da Juventude do Xingu, durante os dias 07 a 10 de setembro de 2017, avançou mais um passo rumo ao resgate da sua identidade profética de anúncio e denúncia, fortalecendo a unidade em torno do projeto do Reino de Deus, buscando integrar a fé e a vida, que se encontram presentes no rosto de nosso amigo e companheiro Jesus Cristo.

Com efeito, a Pastoral da Juventude promoveu, junto à comunidade da Paróquia São Francisco Xavier no município de Senador José Porfírio, a construção e a realização da 2ª Caminhada da Juventude do Xingu (2ª CAJUX), que teve como tema: “Jovens e a violência no Médio Xingu” e lema: “Ponho então a tua frente, dois caminhos diferentes, vida e morte e escolherás”.

Todos temos à Luz da Palavra a mesma face e somos irmãos em um só Pai. Em razão disso, nestes quatro dias de encontro, a juventude lembrou do seu compromisso com o “projeto de formação inspirado na espiritualidade do segmento de Jesus Cristo” e debateu a violência em suas mais diversas faces.

A sociedade brasileira é, hoje, uma das mais desiguais do mundo. Tal situação reflete um modelo social que impõe um ideal de consumo ilusório e inatingível aos pobres, somente possível para os mais ricos. Esse modelo alimenta a difusão da violência, resultando de muitos conflitos e tensões produzidos por um mundo desigual, incapaz de respeitar a dignidade das pessoas. Uma desigualdade que, aos olhos do cristão, é um escândalo e, ao mesmo tempo, um desafio, diante do qual não basta protestar ou lamentar, mas é preciso redobrar com lucidez e  com perseverança o empenho na construção de uma sociedade justa e solidária (Doc. 85 - CNBB, Evangelização da Juventude. pag. 57).
 
Por meio de oficinas e palestras, recordamos que os nossos semelhantes sofrem com diversos tipos de violências: violência urbana e rural; ambiental e doméstica; contra as mulheres, contra o idoso, contra os indígenas, contra os trabalhadores e contra a juventude. Estas são a prova de que vivemos em uma sociedade doente, obcecada pelo capital e cheia de egoísmo. No entanto, o Cristo Jovem nos mostra que o caminho e a saída é o Mandamento do Amor.

A evangelização dos jovens não pode visar somente a suas relações mais próximas – como o grupo de amigos, a família, a amizade, a fraternidade, a afetividade e o carinho, as pequenas lutas do dia a dia. A ação evangelizadora deve também motivar o envolvimento com as grandes questões que dizem respeito a toda a sociedade, como: a economia, a política, e todos os desafios sociais de nosso tempo. Há necessidade de animar e capacitar o jovem para o exercício da cidadania, como uma dimensão importante do discipulado [...]. (Doc. 85 - CNBB, Evangelização da Juventude. pag. 57).

Conforme o tema deste encontro, temos dois caminhos à nossa frente. Um dos caminhos, o da morte, já foi escolhido pelos grandes latifundiários, pelo grande empresariado, pelos idealizadores e executores dos grandes projetos na Amazônia e por parte de nossa classe política. O caminho da morte é protagonizado pelos que provam sua incompetência depositando na violência o seu último argumento. Hidrelétricas, mineradoras, grilagens e garimpos, somadas a má gestão e a corrupção, são ceifadores da vida do povo amazônida.
 
Contudo, dizemos NÃO a todos que escolhem o caminho da morte e levamos sempre o Santo Evangelho na luta contra esse caminho destrutivo. No entanto, rezamos pela conversão de todos no Amor de Cristo e nos abrimos ao debate neste desafio, a fim de anunciar a liberdade, a igualdade e a fraternidade a todos os povos, e fazemos assim a nossa escolha pelo caminho da vida.

Nesse sentido, uma das formas de se prevenir a violência, se faz por meio da garantia da dignidade da pessoa e dos direitos humanos, previstos no Pacto de São José da Costa Rica, e na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. O artigo 6º da Constituição Federal, afirma que “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção a maternidade e a infância, a assistência aos desamparados”.

Ademais, o artigo 227, diz que “é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar a criança, ao adolescente, e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação e ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária, além de colocá-lo a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.

A Santa Palavra, no entanto, é a nossa base para a escolha do caminho da vida. Lembramos que o Evangelho do Amor deve nos reger para o Bom Caminho já que o próprio Cristo nos lembra que Ele veio “para que todos tenham vida, e tenham vida em abundância (Jo 10,10)”.

Somos Igreja Jovem e “acreditamos na Luz e alimentamos sempre a esperança [...], renovamos nossos compromissos batismais e crismais na defesa e promoção da vida onde a morte é semeada; do amor e da paz onde o ódio é espalhado; da justiça quando vemos os povos do Xingu agredidos por injustiças, violências, desrespeito e discriminação” (Carta Compromisso do Seminário do REPAM/Xingu 2017).

Fazemos coro aos movimentos eclesiais e sociais que lutam pela vida de todos aqueles que sofrem com qualquer forma de violência, e mais ainda, nos propomos a anunciar sem receio e sem fronteiras o Mandamento Novo: AMEM-SE UNS AOS OUTROS (Jo 13, 34).

Ao fim do encontro que nós, irmãos e irmãs em Cristo, possamos nos recordar que a Caminhada da juventude inicia-se agora. Nas nossas comunidades, nos encontros de base, na nossa vivência cristã na sociedade. É lá que de fato vamos recomeçar a nossa caminhada, renovados e fortalecidos com esses dias de encontro. É hora de lembrar da Palavra, segundo São Lucas e, que possamos guardar isso no nosso íntimo: “Levantaram-se, voltaram e contaram o que tinha acontecido no caminho” (Lc 24, 33.35).

É hora do anúncio. É hora do anúncio da escolha da vida.

Viva a Pastoral da Juventude do Xingu!