O silêncio da morte paira sobre o Xingu.

Corpos inertes flutuam de braços erguidos

Nas águas verdes-esmeralda.

Uma mulher sem vida,

agarrada às suas crianças!

 

Xingu majestoso,

Xingu misterioso,

By-tire dos Índios!

Por que te revoltaste?

Por que ficaste tão furioso?

Por que agrediste o navio

Que singrava tuas águas?

 

Ou foram homens que te provocaram?

Ávidos de lucro, te desrespeitaram?

Ultrapassaram os limites de carga e passageiros?

 

Ó minha Porto de Moz querida,

Cidade de um povo

alegre e sorridente!

Agora o luto enche tuas casas,

A aflição e tristeza te abalam.

Gritos de dor ecoam pelas ruas,

Defuntos são levados à derradeira morada,

Insônia e pesadelos povoam a noite.

 

Ó minha Porto de Moz querida,

O silêncio sufocante da morte te invadiu!

 

Mas será da morte a última palavra?

Não! Jamais! A morte foi tragada pela Vida!

 

Mesmo com o rosto desfigurado pelas lágrimas

Adoramos a tua Cruz, Senhor.

Mesmo com o coração traspassado de dor

Professamos nossa fé na Ressurreição.

Mesmo com a alma atônita,

Confiamos a Ti nossos irmãos e irmãs.

 

Dom Erwin

24 de agosto de 2017