Foto: Marcos Amaral Lotufo
 
A CPT, Regional Pará, lamenta profundamente, a morte de FREI HENRI BURIN DES ROZIERS, o Frei Henri, como carinhosamente era chamado por todos nós. Frei Henri faleceu ontem no convento dos Dominicanos, em Paris, na França, aos 87 anos de idade.
 
Frei Henri dedicou mais de 30 anos de sua vida ao trabalho em defesa dos direitos dos camponeses e camponesas do Bico do Papagaio (Tocantins) e do Sul do Pará. Como advogado e agente da CPT no Tocantins, foi  companheiro do Pe. Josimo Tavares no apoio à luta dos(as) trabalhadores(as) pela defesa de suas terras, contra a violência organizadas por grileiros e grandes fazendeiros da região. Pe. Josimo foi assassinado a mando de latifundiários
no ano de 1986 e Frei Henri continuou com o trabalho de defesa dos direitos dos camponeses da região do Bico do Papagaio.
No ano de 1991 foi convidado a integrar a equipe da CPT da Diocese de Conceição do Araguaia, sul do Pará. No início daquele ano tinha sido assassinado por pistoleiros, em Rio Maria, o sindicalista Expedito Ribeiro de Souza. Antes de Expedito, no mesmo município, já tinham sido assassinados: o sindicalista João Canuto, em 1985, dois filhos de João Canuto (José e Paulo) em 1990 e o sindicalista Braz Antônio de Oliveira e seu colega de trabalho Renan Ventura, no
mesmo ano. Essas e muitas outras mortes de trabalhadores (as) rurais na região permaneciam acobertadas pela impunidade.
Frei Henri passou a integrar a equipe da CPT, em Rio Maria, juntamente com o Pe. Ricardo Resende Figueira.Juntos iniciaram um trabalho na região de apoio à luta dos camponeses pela terra e de pressão às autoridades pela punição dos responsáveis pelas mortes no campo. Com a saída do Pe. Ricardo devido às ameaças de morte pelos latifundiários, Frei Henri passou a integrar a equipe da CPT já com sede em Xinguara juntamente com Ana de Souza
Pinto, a Aninha. Graças a seu trabalho corajoso e persistente, pistoleiros, intermediários e mandantes dos assassinatos de João Canuto, filhos de João Canuto e Expedito Ribeiro foram julgados e condenados pelas mortes.
Frei Henri se destacou também no combate ao trabalho escravo na região. Além do trabalho feito no âmbito da Campanha Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, coordenada pela CPT, moveu processos emblemáticos contra o governo brasileiro perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA. Devido seu trabalho aguerrido e corajoso, foi muitas vezes perseguido e ameaçado de morte por fazendeiros. Em alguns desses momentos teve que
andar escoltado para não ser assassinado. Mas, mesmo frente ao perigo, Frei Henri sempre manteve firmeza e coragem na luta pela defesa dos direitos dos mais pobres na região.
 
Frei Henri foi um profeta de nosso tempo. Assumiu a causa dos injustiçados acima de qualquer coisa. Foi um exemplo de igreja a serviço dos mais pobres, como ensinou o mestre Jesus. Henri foi referencia também no campo da advocacia popular, colocando seu saber enquanto advogado, a serviço das causas dos pobres da terra. Sua partida nos deixa triste e saudosa, mas, nos dá a certeza de que as sementes semeadas por ele continuarão a nascer neste vasto campo de lutas do povo pela terra e pelos direitos de permanecer nela. A CPT Pará agradece seus mais de 30 anos de serviço à causa dos trabalhadores e trabalhadoras do Pará e da Amazônia. Seu exemplo continuará sendo fonte de inspiração para todos nós.
VIVA FREI HENRI!
Belém, 27 de novembro de 2017.
CPT Regional Pará
 
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